Quem é que dá os nomes às tempestades?

A prática de nomear tempestades não é aleatória nem fruto de um estagiário criativo do Instituto de Meteorologia. Na verdade, segue regras bem definidas e varia conforme a região do mundo.

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Já nos aconteceu a todos ligamos a TV ou abrimos o telemóvel e vemos uma notícia de que uma tempestade está a caminho. Mas, antes de irmos buscar os guarda-chuvas e cancelarmos aquele passeio, surge a dúvida: quem é que decidiu chamar-lhe Tempestade Joaquim ou Ciclone Bárbara? Será que há um comité secreto de meteorologistas a batizar tempestades como os pais escolhem nomes dos filhos?

Na Europa, por exemplo, as tempestades têm nomes atribuídos pelo Grupo Sudoeste de Tempestades Severas (que inclui Portugal, Espanha, França e Bélgica) e pelo Grupo do Noroeste (Reino Unido, Irlanda e Países Baixos). Todos os anos, cada grupo escolhe uma lista de nomes que serão usados pela ordem em que as tempestades forem surgindo.

Hoje, nomear tempestades ajuda a alertar as populações e a aumentar a perceção do perigo. Afinal, um aviso sobre a Tempestade Mariana parece muito mais urgente do que “Depressão Extratropical 07B”, certo?

Sim e não. Algumas entidades meteorológicas, como o Instituto Alemão de Meteorologia, permitem que o público patrocine nomes de tempestades por um preço, claro. Na Alemanha, o Instituto Meteorológico de Berlim (FU Berlin) permite que qualquer pessoa ou organização “adote” o nome de uma tempestade, anticiclone ou depressão meteorológica.

Funciona assim: todos os anos, o instituto cria uma lista de nomes para sistemas de alta e baixa pressão. Quem quiser pode comprar um nome para um desses sistemas, os anticiclones (alta pressão) custam mais porque costumam durar mais tempo do que as depressões (baixa pressão). Os preços andam à volta de 240€ para depressões e 390€ para anticiclones. Quem compra recebe um certificado e vê o seu nome aparecer em mapas meteorológicos oficiais, relatórios e telejornais.

Este programa chama-se "Adote um Vórtice" (Aktion Wetterpate), e existe desde 2002 para ajudar a financiar a meteorologia na Universidade Livre de Berlim. Ou seja, se quiseres ver a "Tempestade João" ou o "Anticiclone Maria" nos noticiários, basta fazer um pequeno investimento!

A ideia de nomear tempestades surgiu para evitar confusão. No passado, as tempestades eram identificadas apenas por coordenadas geográficas, o que complicava a comunicação entre meteorologistas, autoridades e o público. Durante a Segunda Guerra Mundial, os meteorologistas militares começaram a usar nomes femininos para ciclones tropicais uma prática que se popularizou e só foi ajustada em 1979, quando se introduziram nomes masculinos na lista.

Já os furacões no Atlântico seguem listas preparadas com anos de antecedência pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). São seis listas rotativas de 21 nomes femininos e masculinos que alternam ano após ano. Se um furacão for particularmente destrutivo, o nome é retirado e substituído, foi o que aconteceu com as tempestades Katrina em 2005 e Irma em 2017.

Mas na maior parte dos casos, os nomes seguem listas predefinidas. Por isso, se estás a torcer para que um furacão receba o teu nome, talvez seja melhor concentrares-te em coisas menos destrutivas… como um cocktail com o teu nome ou uma estrela registada no espaço. E agora já sabes: da próxima vez que ouvires falar da Tempestade Ricardo ou do Ciclone Patrícia, lembra-te que há uma lista organizada por meteorologistas e não uma roleta russa de nomes escolhidos ao acaso!