Óscares 2027: O adeus à IA e as novas regras que prometem mudar a passadeira vermelha

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood acaba de anunciar uma atualização profunda nas regras para a 99.ª edição dos Óscares, agendada para março de 2027. O grande destaque vai para o travão colocado à tecnologia, ficando a Inteligência Artificial oficialmente proibida de competir nas categorias de representação e escrita.

05/05/2026

Numa decisão que protege o trabalho dos artistas de carne e osso, a Academia clarificou que apenas interpretações feitas por seres humanos, com o seu devido consentimento, serão aceites. O mesmo se aplica aos argumentos, que devem ter obrigatoriamente autoria humana para serem elegíveis. Esta medida surge num momento de tensão ética no setor, exemplificado pelo recente caso de Val Kilmer. O ator foi digitalmente "ressuscitado" com IA no trailer do filme As Deep as the Grave e, embora o projeto tenha tido a aprovação da família, a nova regra impede que este tipo de recriações digitais concorra a estatuetas douradas.


A categoria de Melhor Filme Internacional sofre a mudança mais drástica das últimas décadas. Até agora, a elegibilidade dependia exclusivamente da escolha do comité oficial de cada país, mas a partir de 2027 as regras determinam que qualquer filme que conquiste o prémio máximo num dos seis festivais de referência — Berlim, Cannes, Veneza, Sundance, Toronto e Busan — torna-se automaticamente elegível. Esta alteração visa evitar injustiças como a de Anatomia de uma Queda, que não foi selecionado por França, ou de realizadores dissidentes cujos governos ignoram as suas obras por questões políticas. Além disso, o prémio deixará de pertencer formalmente ao país para passar a ser creditado ao filme, com o nome do realizador a figurar na placa da estatueta.

Hollywood acaba também com uma restrição antiga nas categorias de atuação. Agora, as regras permitem que um ator receba múltiplas nomeações na mesma categoria se tiver dois ou mais desempenhos entre os cinco mais votados. No sistema anterior, apenas a interpretação mais votada contava. Se esta alteração já estivesse em vigor, nomes como Leonardo DiCaprio ou Kate Winslet poderiam ter feito história com duplas nomeações no mesmo ano por filmes distintos, tal como já acontece com os realizadores.