Durante a tempestade, vem a bonança! A MEGA HITS esteve em Leiria.

A MEGA HITS e o Francisco Mendes estiveram em Leiria, a acompanhar a mobilização de todos o que estão a ajudar na reconstrução desta zona.

13/02/2026

O que é que faz um locutor, de uma rádio de música, a caminho de Leiria? O que é que ainda há para dizer dos destroços de uma tempestade que já aconteceu há quase duas semanas?

Era isto que perguntavam as escovas do para-brisas do carro enquanto dançavam ao som de um desajustado “DtMF”.

Para lá do que a antena da MEGA alcança, também há histórias.

E foi para essas histórias que o microfone laranja apontou.

O Google Maps mandou-me parar primeiro em Alvaiázere.

E dei de caras com as histórias. A do António, do Adriano, do Eduardo, do Emanuel do João, do Jorge, da Maria, da Mariana, da Raquel, do Rogério, do Serafim, da Sofia.

Dois destes ficaram sem telhado. Os restantes vieram para os consertar.

Da tempestade, o que já sabíamos: as árvores que não estão no chão, fizeram Shift+7; os fios elétricos que não serpenteiam no chão, jogam ao limbo com os carros que passam; as chapas, telhas e toldos que não conheceram o chão, aguardam o vento do dia seguinte.

E chove, continua a chover.

No Norte, no Sul e na casa do Adriano.

“É uma casa com pelo menos 150 anos. Feita para o meu avô, passou para o meu pai e comprei-a aos meus irmãos. E nunca aqui tinha chovido.”

No chão da rua vejo chapas, no chão da casa vejo chuva.

“Malta, a chuva está muito forte agora, descansem aqui no borralho”.

A malta é do Just a Change. Já meteram o toldo e sob a direção do Eduardo e a técnica do Serafim, preparavam-se para meter as placas sanduíche no telhado. A chuva e o vento tinham outros planos e puseram-nos à conversa com o Adriano.

Há mais meninos do Just a Change em Alviázere, vieram, tal como os primeiros, porque estavam parados: à espera do resultado das entrevistas de emprego, à espera de que a tese se escrevesse… vieram para ajudar.

Vou conhecê-los, o Eduardo quer que veja mais uma obra montada em tempo recorde.

“O Just a Change é uma associação que reabilita casas, queremos acabar com a pobreza habitacional; mas neste cenário falámos com a Câmara, reunimos técnicos e voluntários e viemos. Olha, ali está o Rogério, é empreiteiro de Amarante, e alinhou vir para aqui connosco.”

“Já viste esta maravilha? Lá em Amarante fui comprar quatro paletes de telhas ao fornecedor, quando percebeu que vinha para aqui, disse que a quinta ficava por conta dele.”

A chuva continua, a malta do Just também: entulho para fora de casa, pé ante pé no andaime molhado, beirais praticamente feitos. O cenário é caótico e não bate certo com as caras destas personagens, há uma boa disposição nas caras de todos.

A começar pelo homem debaixo do guarda-chuva: é o senhor António, observa a empreitada que fazem na sua casa.

“Seja bem-vindo! (…) A minha mulher foi dar uma volta a Fátima e ainda não voltou! Mas não se preocupe que foi há mais de 30 anos, já não conto que venha. (…) No verão, as árvores aqui à volta foram todas, agora vão-se as telhas.”

“Mas parece tranquilo.”

“Claro que estou. Havia de chorar quando esta malta me está aqui a ajudar? São fantásticos. (…) É da rádio? Olhe que eu gosto muito de rádio. Comecei a ouvir com 18 anos e nunca mais parei. Era mais os discos pedidos, eu. Nunca pedia, mas ouvia os pedidos dos outros. Gostava das músicas românticas.”

É hora de regressar. E o meu telemóvel que ontem esbanjava dados no TikTok, não tem sequer rede para encontrar o caminho de regresso.

TikTok… Precisa do telemóvel para se orientar… Esta geração está perdida!

Creio que não, mas se alguém a perdeu, que fale com o Senhor António. Ele encontrou a geração perdida a consertar-lhe o telhado. E o microfone laranja ouvi-o dizer que foi um verdadeiro achado.

O Just a Change vai estar no terreno até ser preciso. É por isso que precisa de ti: inscreve-te em justachange.pt!