O mundo aos pés de Porto Rico: Bad Bunny fez história no palco do Super Bowl
Benito Antonio Martínez Ocasio. Fixa este nome, porque o que aconteceu no palco mais cobiçado do mundo não foi apenas um concerto, foi uma afirmação histórica da cultura latina.
Depois de um ano triunfal, onde o seu álbum Debí Tirar Más Fotos conquistou o prémio de Álbum do Ano nos Grammys, Bad Bunny elevou a fasquia ao protagonizar o espetáculo do intervalo da Super Bowl. Embora os artistas não recebam por esta atuação, o "Conejo Malo" ganhou algo muito maior, uma plataforma global para o seu orgulho porto-riquenho!
O conceito visual trouxe um cenário de Porto Rico com plantas (que eram pessoas e mexiam-se pelo cenário), roupas tradicionais como o famoso chapéu de palha, e a famosa "casita" de Benito, rodeada por estrelas como Pedro Pascal, Karol G e Cardi B. O espetáculo contou com colaborações de luxo que pararam a internet: Lady Gaga que surgiu para uma versão inédita de “Die With a Smile” com ritmos latinos, e o lendário Ricky Martin juntou-se a Benito para um momento carregado de simbolismo ao cantar “Lo que pasó a Hawaii”, uma critica clara às consequências do colonialismo no Hawaii.
Além dos feats referidos, o espetáculo arrancou com a energia explosiva de “Tití Me Preguntó” e “Yo Perreo Sola”, transformando o estádio numa verdadeira festa de rua porto-riquenha. A viagem musical seguiu com “VOY A LLeVARTE PA PR”, um bom perreo com “EoO” e o luxo de "Monaco", antes do momento em que o estádio paralisou para ouvir a versão latina de “Die With a smile” com Lady Gaga. A reta final trouxe “NuevaYol” a força de "El Apagón" (fundida com a crítica social de “Lo que pasó a Hawaii” ao lado de Ricky Martin) e terminou em festa com “CAFé CON RON” e com todos a cantar “DtMF”.
O espetáculo foi pontuado por momentos inesquecíveis. Bad Bunny surpreendeu tudo e todos ao realizar um casamento verdadeiro em pleno palco. O casal, que inicialmente tinha pedido ao cantor para atuar na sua boda, acabou por ser casado pelo próprio Benito, que chegou a assinar o certificado de casamento.
Num tom mais emocional, o cantor entregou um Grammy a uma criança, que muitos interpretaram como uma versão mais jovem de si próprio. Surgiram rumores de que seria um menino detido pelo ICE (serviços de imigração norte-americanos) mas foi entretanto esclarecido de que se tratava de um ator de 5 anos, contratado para o momento: Lincoln Fox, filho de pais imigrantes.
O momento mais político da noite surgiu no encerramento. Enquanto segurava uma bola com a frase “Juntos Somos a América”, Benito declarou: "Deus abençoe a América... seja o Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai", continuando a lista por mais de 20 países das Américas do Norte e do Sul.
Esta foi uma forma de desafiar as políticas de Donald Trump contra a imigração, reforçando que a América é um continente e não apenas um país. Num cartaz, reforçou a mensagem que já tinha declarado nos Grammys: "O amor é mais forte do que o ódio". Com bandeiras de Porto Rico e da América Latina, Bad Bunny provou que a sua energia não é apenas contagiante, é revolucionária.
Trump não deixou de comentar na sua rede social X, mostrou-se revoltado e declara que foi um dos piores Super Bowls dos últimos tempos e que não representa a grandeza da América. Esta publicação só demonstra que o talento de Bad Bunny conseguiu atingir e incomodar o presidente e a mensagem de amor que o cantor defende, se fez ouvir alto e bom som!

