Donald Trump recusa-se a ver Bad Bunny e Green Day no Super Bowl

O Presidente dos Estados Unidos anunciou que não marcará presença na final do campeonato de futebol americano, agendada para o dia 8 de fevereiro. O motivo? A escolha das atrações musicais do intervalo: Bad Bunny e Green Day..

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28/01/2026

Em declarações ao New York Post, o presidente Trump começou por apresentar uma justificação logística, alegando que o Levi’s Stadium, na Califórnia, ficaria "demasiado longe". Mas acabou por admitir que a verdadeira razão é ideológica, classificando (mais uma vez) as atuações musicais do famoso intervalo como uma "escolha terrível" e acusando os artistas - Bad Bunny e Green Day - de semearem o ódio, reacendendo assim esta polémica.

Bad Bunny (na foto), o fenómeno porto-riquenho, tem sido alvo recorrente de ataques por parte dos apoiantes do Presidente, muitas vezes motivados por serem anti-latinos. O músico tem respondido através da sua arte: no tema "Nuevayol", utiliza uma voz semelhante à de Trump para simular um pedido de desculpas aos imigrantes, afirmando que os Estados Unidos não seriam nada sem eles.

Após ter sido confirmado no Super Bowl, o artista protagonizou um momento viral no "Saturday Night Live", onde discursou em inglês mas incluiu uma mensagem direta em espanhol para a comunidade latina. O gesto provocou a fúria da deputada Marjorie Taylor Greene, que defendeu publicamente que o inglês deveria ser a única língua oficial do país.

Já a presença dos Green Day no palco do Super Bowl é igualmente provocatória. A banda, liderada por Billie Joe Armstrong, nunca escondeu a sua oposição aos governos republicanos. O grupo ganhou uma projeção política global com o álbum American Idiot, escrito como uma crítica feroz a George W. Bush durante a Guerra do Iraque. Atualmente, Billie Joe Armstrong tem focado as suas críticas nas ações do ICE (Serviço de Imigração e Controlo de Fronteiras), o que coloca a banda em rota de colisão direta com as políticas de imigração de Donald Trump.

O Super Bowl de 8 de fevereiro promete ser mais do que um evento desportivo, será um palco de representação latina e resistência política, num momento em que as tensões sobre a imigração e as ações do ICE dominam o debate público norte-americano.